domingo, 23 de outubro de 2011

Plano de aula: A abolição da escravatura, um mito de liberdade...


Objetivos



Problematizar o processo da Abolição da Escravatura no Brasil, que culminou com a assinatura da Lei Áurea. Refletir sobre a resistência escrava e o movimento abolicionista no Segundo Reinado. Apresentar e problematizar quem foi a Princesa Isabel, porque ela aboliu a escravidão e como a Lei Áurea desgastou ainda mais a Monarquia. Discutir o verdadeiro sentido do 13 de maio e a vida difícil dos recém-libertos. 


Conteúdos
Brasil Império; Abolição da escravatura.



Anos 
8° e 9°



Tempo estimado
Cinco aulas



Material necessário



- Imagens: Fuga de escravos, óleo sobre tela, de François Auguste Biard (1859); Princesa Isabel; Lei Áurea; A festa da Glória, e alguns efeitos da lei de 13 de maio, de Ângelo Agostini (13 de agosto de 1888);



- Letra do samba "Salve a Princesa Isabel", de Paquito e Luís Soberano, composta em 1948;



- Versos publicados no jornal fluminense O Monitor Campista, em 23 de março de 1888.



Desenvolvimento

1° Aula
Apresente aos alunos o contexto histórico que antecedeu a abolição da escravatura, em 1888. Explique que o processo que levou ao fim da escravidão no século 19 foi longo e difícil, ressaltando a resistência escrava (formação dos quilombos, fugas arriscadas, uso da força, violência, desobediência, etc) e o movimento abolicionista. 



A partir da exibição da tela Fuga de escravos, de François Auguste Biard (1859), discuta com os alunos os elementos que aparecem na tela. Questione sobre a maneira como o artista representou os escravos, suas feições, gestos, a atitude dos escravos adultos com relação às crianças, enfim, qual a sensação transmitida pela imagem. Pergunte sobre o que eles conhecem ou já estudaram acerca da escravidão.



2°Aula
Uma vez que a abolição da escravatura é entendida como um processo gradativo, discuta com os alunos as pressões internacionais para o fim da escravidão e enfatize as duas leis que antecederam o 13 de maio: A Lei do Ventre Livre , em 1871, que assegurou a liberdade dos filhos de escravas que nascessem após a sua entrada em vigor, e a Lei dos Sexagenários, de 1885, que dava liberdade a todos os escravos com idade de sessenta anos ou mais. 



Questione o que elas propunham, quem foi beneficiado por elas, quais as reações que provocaram na sociedade e o que elas representaram de fato para os escravizados?
Em seguida, discuta o abolicionismo, movimento que ganhou força na segunda metade do século 19 e que foi liderado por pessoas de diferentes grupos sociais inconformadas com a escravidão, dentre elas José do Patrocínio, André Rebouças, Paula Brito, Joaquim Nabuco e Luiz Gama. 



Divida os alunos em grupos e peça que eles pesquisem informações sobre os abolicionistas. Cada grupo deve criar um painel com as informações coletadas (pode ser em cartolina) e fazer uma apresentação oral para os colegas.



3º Aula
Usando uma imagem da Princesa Isabel, pergunte aos alunos se sabem quem ela foi e o que ela fez de tão importante para a história do Brasil,



Explique que a Princesa Isabel tornou-se regente do Império, uma vez que seu pai, D. Pedro II, encontrava-se em viagem pela Europa. Discuta a intensificação da campanha abolicionista com manifestações nas ruas e o apoio de diversos setores da sociedade, o que aumentou as pressões pelo o fim da escravidão no Brasil. 



Problematize a criação da imagem da Princesa Isabel como a "redentora dos escravos", após assinar a Lei Áurea. Utilize a letra do Samba "Salve a Princesa Isabel" de autoria de Paquito e Luís Soberano, composta em 1948. Destaque, através da letra, como mais de 50 anos após a abolição, a imagem da princesa como redentora dos escravos se fazia presente no imaginário popular. Destaque a estrofe final da música para discutir com os alunos aspectos inerentes ao racismo e preconceito na atualidade:



Salve a princesa Isabel (Paquito e Luís Soberano)



Liberdade! Abre as asas sobre nós...

Salve a princesa Isabel
Deu liberdade a todos
Foi no dia 13 de maio
Preto não é mais lacaio
Preto não tem mais senhor

Foi no dia 13 de maio
Preto não é mais lacaio
Preto não tem mais senhor

Desde o dia em que a princesa assinou
A Lei Áurea concedendo abolição
Preto teve o direito de ser cidadão
Hoje o preto pode ser doutor
Deputado e senador
Não há mais preconceito de cor!



4ª Aula
Discuta a vida dos recém-libertos. Copie no quadro os versos que foram publicados no jornal fluminense O Monitor Campista, em 23 de março de 1888, acerca dos negros:



"Fui ver pretos na cidade/ que quisessem trabalhar./ Falei com esta humildade/ 
- Negros, querem trabalhar?/ Olharam-me de soslaio, / E um deles, feio, cambaio,/ Respondeu-me arfando o peito:/ - Negro, não há mais não./ Nós tudo hoje é cidadão./ O branco que vá pro eito." (O Monitor Campista, 28/03/1888).



Partindo dos versos publicados pouco antes de a Lei Áurea ser assinada e com base em tudo o que já foi discutido, pergunte aos alunos qual era a visão de boa parte da sociedade brasileira sobre os negros. Essa visão mudou de lá pra cá? Como é tratada a discriminação racial no Brasil hoje?
Mostre aos alunos como a questão da escravidão no Brasil desgastou, aos poucos, a imagem da Monarquia, sobretudo a Lei Áurea, que obrigou os fazendeiros escravistas a libertarem seus escravos sem receber indenização. Sentindo-se prejudicados pela lei, muitos fazendeiros aderiram à causa da República.



5ª Aula
Discuta o verdadeiro sentido do 13 de maio de 1888. Trabalhe a imagem A festa da Glória e alguns efeitos da lei de 13 de maio, publicada na Revista Ilustrada (13 de agosto de 1888). 



Nela se lê: "Nos bondes"; "Aí vem a família Pitada (...) Misericórdia, e nem uma rapariga em casa"; Seu Zuzé Congo e sua Excelentíssima Família"; "Todos os crioulos na festa da Glória e este (...) cidadão aqui a esquentar água para o chá"; Liberdade é muito bom, mas cria calos que é o diabo"; "Fiquei com o corpo livre, mas estou com os pés no cativeiro"; "Roubado pelos gatunos! Eis uma sensação que nunca tive antes da lei".



Usando a charge de Ângelo Agostini, discuta com os alunos que, para os recém-libertos, a abolição não trouxe os benefícios esperados, já que não receberam terras para plantar. Muitos permaneceram nas fazendas, trabalhando da mesma forma que antes, outros ao rumarem para as cidades em busca de empregos, foram preteridos pelos empresários que optavam por empregar os imigrantes europeus, restando aos negros os piores trabalhos, os menores salários e moradias precárias. A maioria dos libertos foi posta à margem da sociedade. Aproveite para refletir sobre o sentido da palavra marginalizado e como ao longo do tempo ela foi associada à imagem do negro pobre, sem dinheiro, sem instrução e sem apoio do governo. A abolição não garantiu os direitos mínimos de cidadania.



Avaliação
Avalie a interação dos alunos no momento dos questionamentos e das indagações feitas a partir das informações apresentadas. Analise o comprometimento e a qualidade das informações trazidas pelos alunos na elaboração e apresentação do painel sobre os abolicionistas. Avalie a capacidade criativa deles ao interpretarem as imagens e informações transmitidas por elas, assim como a compreensão dos versos do jornal O Monitor Campista.


Mestrando em História na Universidade Federal de Juiz de Fora - Minas Gerais, professor da EM Antônio Carlos Fagundes

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